sexta-feira, 18 de outubro de 2019

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Bem-vindo(a) à Visão Aérea! Voltamos mais uma vez com a coluna que faz a análise técnica e tática de uma empolgante partida da semana que se passou na NFL. Para a sexta rodada, escolhemos o duelo entre New York Jets e Dallas Cowboys.

Com o retorno de Sam Darnold, que estava fora dos últimos jogos por causa de uma mononucleose, o Jets abriu uma boa vantagem, mas precisou segurar os ímpetos do Cowboys na parte final da partida para ficar com a vitória por 24 a 22. Uma conversão de dois pontos mal-sucedida dos visitantes no apagar das luzes garantiu a saída do zero na coluna de vitórias dos donos da casa.

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Mas como foi que tudo isso aconteceu? O que podemos tirar de tudo o que notamos dentro de campo? É hora de mais uma Visão Aérea!

Ataque do Jets x defesa do Cowboys

A diferença entre ter um quarterback real e um que nem sequer deveria estar na NFL é imensa. Com Luke Falk, o New York Jets tinha uma dificuldade homérica para conseguir um first down. Com Sam Darnold, a história é bem diferente.

Ainda assim, apesar da volta de Darnold para a partida, o Dallas Cowboys tomou uma abordagem bastante conservadora na defesa. O plano foi tirar Le’Veon Bell da partida e obrigar o quarterback a vencer com o braço. Provavelmente, a equipe visitante acreditava que o quarterback ainda não estaria 100% recuperado, ou sem ritmo de jogo.

Desde o primeiro momento da partida, vimos o Dallas Cowboys encher o box com sete ou mais jogadores. A ideia era de forçar Darnold a trabalhar contra a secundária, talvez imaginando que o Jets tentaria inicialmente estabelecer Le’Veon Bell.

Mas o Jets sabia que esse seria o plano do Cowboys. E frustrou o visitante muito bem.

Logo no primeiro snap ofensivo dos mandantes na partida, o Jets usa uma formação que indica corrida e o Cowboys leva oito homens ao box. O tom da partida está definido. Mas, para a surpresa da defesa, Sam Darnold faz um ótimo play-action. Demaryius Thomas vence o seu marcador na secundária e ganha 17 jardas:

A jogada acima deu o tom de toda a partida. E, pouco tempo depois, o maior estrago seria feito. Na primeira jogada de uma campanha, Darnold aproveitaria a tendência de Dallas de apostar em parar o jogo terrestre.

A chave dessa jogada é uma falha de comunicação defensiva. A chamada parece ser Cover-3, com a defesa dividindo o campo em terços e um safety em profundidade. Porém, nenhum defensor acompanha o recebedor da parte central do campo, obrigando o safety a avançar e tentar marcá-lo. Na direita, Robby Anderson bate o seu marcador.

Com o campo todo aberto devido ao deslocamento do safety, Anderson tem um touchdown tranquilo de 92 jardas. Repare que mais uma vez foi usado o play-action para enganar a defesa. Destaque também para o ótimo lançamento de Darnold:

Uma tendência da defesa de Dallas a ser explorada é a cobertura homem a homem em terceiras descidas. De acordo com as estatísticas, o time o faz em 80% das vezes. E foi justamente o disfarce que causou o único erro de Darnold no jogo: sua interceptação.

Apesar de mostrar um visual de cobertura homem a homem, o Cowboys está na verdade em zona nesse snap. A mudança é percebida só com a jogada já em andamento, e Darnold não tem o lançamento que queria. Com isso, ele acaba fazendo um passe bastante ruim e o cornerback Jourdan Lewis aproveita.

O retorno de Sam Darnold traz promessa a um ataque do Jets que vinha muito mal na temporada. Por mais que provavelmente seja tarde para lutar por playoffs, o time tem uma base sólida para o futuro e um signall caller que parece ser muito talentoso, apesar de ainda precisar se desenvolver mais.

Na defesa de Dallas, a qualidade é indiscutível, mas o conservadorismo prejudicou a unidade nessa partida. O ideal seria mais agressividade no futuro.

Ataque do Cowboys x defesa do Jets

Se a defesa de Dallas foi muito conservadora nessa partida, podemos dizer o mesmo sobre o ataque. Mas aqui, existe uma certa explicação: os dois tackles (La’el Collins e Tyron Smith) estavam fora, bem como o wide receiver Randall Cobb. Logo após a primeira campanha, Amari Cooper se juntou à lista.

Com tantos desfalques, Dallas teve dificuldades para proteger Dak Prescott e para ter recebedores abertos. O quarterback sofreu bastante no duelo.

Junto a isso, temos que destacar a enorme agressividade do coordenador defensivo do New York Jets, Gregg Williams, que chamou a blitz em nada menos do que 17 dos 41 dropbacks de Prescott. Em quase metade das vezes que ele tentou fazer um passe, havia um ou mais extra pass rushers.

O New York Jets conseguiu apenas um sack sobre Prescott na partida, mas foram oito hits, muitos deles encerrando campanhas (e um encerrando o jogo, como veremos mais adiante).

Dak Prescott até teve sucesso queimando a blitz algumas vezes. No lance abaixo, por exemplo, a cobertura está totalmente disfarçada. Os pass rushers extras são atletas que pareciam estar em marcação homem a homem, e um real marcador é na verdade quem parece ser o safety em profundidade. Mas o esquema é bastante complexo e com buracos, deixando muito espaço para que o quarterback complete um passe para Tavon Austin antes que haja um adversário sequer próximo a ele. O ganho é de 23 jardas.

O conservadorismo do ataque de Dallas apareceu principalmente na red zone. De 15 snaps que a equipe tomou nas 20 jardas finais do campo, 12 foram corridas. A ausência de quatro atletas importantes com certeza foi uma parte fundamental disso.

O problema é que em muitas dessas corridas, não havia qualquer futuro. Um exemplo é o lance a seguir, em uma fundamental quarta para 2, que a chamada é para Dak Prescott tentar conquistar o first down com as próprias pernas.

Repare a superioridade numérica da defesas no lance, tirando qualquer chance de first down:

Mas na jogada mais importante do confronto, a conversão de dois pontos que poderia causar uma prorrogação, Dallas chamou um passe. E não só um passe, mas com empty backfield, deixando claro que não haveria corrida.

E a agressividade de Gregg Williams foi premiada. Ele chama Cover-0 com all-out blitz. Jamal Adams parece antes do snap estar na função de safety, mas ele também vai atrás de Prescott. E como ninguém imaginava que ele o faria, o caminho está absolutamente livre em direção ao quarterback.

Em pouco mais de um segundo, Jamal Adams chega a Prescott. Nenhuma rota se desenvolveu ainda e não existe nada que possa ser feito pelo ataque. Fim de jogo, vitória do New York Jets.

O ataque de Dallas, tão agressivo nas primeiras partidas do ano, deu vários passos para trás ao perder alguns de seus principais jogadores. Precisará recuperar sua identidade em um futuro próximo. Por outro lado, agressividade é o que não falta à defesa do Jets, e isso deverá aparecer mais ainda a partir de agora, quando mais lideranças no placar devem existir.

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