sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

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A temporada regular da NFL vai chegando ao fim e as partidas vão ganhando ares dramáticos. Na semana 16, nenhum lugar viu tanta insanidade como a Philadelphia: precisando ganhar para ainda ter chances de ir aos playoffs, o Eagles deixou escapar uma grande liderança diante da equipe do Houston Texans, mas recuperou a vitória com um field goal com cronômetro zerado. Para o atual campeão, ainda há esperança.

Foi um duelo de um quarterback em seu segundo ano que vive grande fase, DeShaun Watson, contra um veterano que parece fazer magica quando recebe a missão de jogar, Nick Foles. E de dois times similares no momento, com ótimas linhas defensivas, mas secundárias problemáticas, e jogos terrestres capengantes graças a running backs lesionados.

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Vamos à análise tática e técnica do que aconteceu nessa grande partida!

Ataque do Texans x Defesa do Eagles

Com Lamar Miller lesionado, os running backs de Houston somaram apenas treze jardas em onze carregadas no domingo, números terríveis. Não só não conseguiram encontrar muito espaço para correr, como também não aproveitaram as chances que tiveram. A culpa por esse desempenho é dividida entre a linha ofensiva e a própria dupla formada por Alfred Blue e D’onta Foreman.

Na tentativa abaixo, com Foreman, perceba como no momento que o running back recebe o handoff, já há dois jogadores no backfield, livres de bloqueios. Não há milagre que possa ser feito pelo atleta aqui por conta dessa grande penetração, e rapidamente Timmy Jernigan consegue fazer o tackle para perda de jardas. Esse é um snap no qual podemos colocar a culpa na linha ofensiva do Texans pelo fracasso da corrida.

Mas não é sempre assim. Já no quarto período, a tentativa é com Alfred Blue. O center e o right guard conseguem abrir um bom espaço e, para melhorar a situação, o left guard está logo à frente, servindo para pavimentar um caminho que pode resultar em ótimo ganho de jardas. Porém, o running back hesita, não vai com confiança em direção à abertura e espera que ela se feche, desperdiçando grande oportunidade. Dessa vez, a culpa pode ser colocada no running back.

Para gerar qualquer tipo de ganho pelo chão, Houston precisa recorrer ao seu quarterback, DeShaun Watson. Isso é feito a partir de alguns velhos truques que continuam funcionando muito bem na NFL. Um deles é a zone read. No primeiro touchdown da equipe na partida, é exatamente essa a chamada. O camisa 4 faz a leitura, fica com a bola e conta com um bloqueio excepcional para alcançar a endzone.

Nunca se duvidou das capacidades de dupla ameaça de Watson, mas impressiona o quanto ele tem crescido também como passador. A capacidade de estender jogadas saindo do pocket tem melhorado, e agora ele o faz na maior parte das vezes quando é necessário, e a precisão também. Veja no lance abaixo como ele faz bom trabalho para fugir do sack e achar qual o seu recebedor que havia vencido a marcação individual – no caso, DeAndre Carter, que avança 24 jardas.

Watson será um estreante em playoffs e Houston não poderá contar só com ele se quiser avançar. O retorno de Lamar Miller e a melhora da linha ofensiva serão necessários. Para o Eagles, estar vivo mesmo com a grande quantidade de lesões na secundária já é um feito a se elogiar.

Ataque do Eagles x defesa do Texans

O Philadelphia Eagles postou 32 pontos nessa partida muito devido à mágica de Nick Foles. O quarterback, que continua construindo uma incrível história com a camisa verde e branca, somou 471 jardas aéreas e passou para quatro touchdowns no duelo. O vídeo corrobora a qualidade dessa performance.

Também contribuiu o fato de Philadelphia ter jogadas muito bem desenhadas no confronto. No lance abaixo, touchdown de 37 jardas de Foles para Darren Sproles, a formação é com dois wide receivers do lado esquerdo e um wide receiver e um tight end do direito, além de um running back no backfield. Os dois atletas do lado direito correm rotas cruzadas para a esquerda, o que é excelente contra marcação homem a homem.

Sproles faz uma wheel route para a direita e este lado do campo está completamente aberto. Assim, ele só precisa bater seu marcador na velocidade, o que não é uma missão complexa, para alcançar um longo ganho. O touchdown vem após um tackle perdido pelo safety calouro Justin Reid.

Após ser queimada em jogada atrás de jogada no primeiro tempo por usar marcação homem a homem, o Texans passou a preferir zona no segundo tempo. Apesar de complicar um pouco a vida de Foles, não funcionou muito. No lance abaixo, Alshon Jeffery consegue um espaço pequeno entre os linebackers e os safeties e o quarterback acerta o lançamento em uma janela bem pequena. Mais uma vez, Justin Reid perde o tackle e o lance se transforma em um ganho de 52 jardas.

Homem a homem ou zona, nada funcionava. Na campanha final, o Texans voltou para a primeira opção. São quatro wide receivers e um running back sendo marcados individualmente. Zach Ertz fica completamente aberto para fazer a recepção de 20 jardas que coloca os donos da casa em posição de chutar um field goal porque dois defensores – Zach Cunningham, indo atrás do running back, e Tyrann Mathieu, responsável pelo tight end, se colidem. Mathieu fica no chão e a inteligência das rotas cruzadas mais uma vez faz seu estrago.

Se a secundária de Houston sofre com problemas graves, a linha defensiva é excelente. Também limitou o Eagles a 2,6 jardas por carregada, graças principalmente ao brilhante trabalho de Jadeveon Clowney contra a corrida. Note abaixo como ele passa pelo right tackle Halapoulivaati Vaitai com extrema facilidade e segue o running back Josh Adams para conseguir o tackle para perda de duas jardas. Esse tipo de esforço torna mover a bola pelo chão contra o Texans algo muito complicado.

O Eagles parece ter nova vida em seu ataque com o retorno de Nick Foles, o MVP do Super Bowl, quando ninguém acreditava nessa possibilidade. O Texans tem na sua defesa o exato mesmo diagnóstico que o Eagles: a linha defensiva potente não está conseguindo conter os problemas da secundária.

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