sexta-feira, 11 de outubro de 2019

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Bem-vindo à Visão Aérea! Mais uma vez, chegamos com a análise técnica e tática da principal partida da semana que se passou na NFL. Dessa vez, não poderíamos deixar de lado um confronto de enorme rivalidade de divisão que foi decidido apenas na prorrogação!

O Baltimore Ravens conseguiu vencer o Pittsburgh Steelers fora de casa por 26 a 23 graças a mais um chute decisivo do grande kicker Justin Tucker. Mas esse triunfo, que eleva o time de Lamar Jackson à campanha de 3-2, na verdade foi bastante enganoso. O time começa a mostrar enormes problemas depois de começar a temporada de forma promissora.

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Do outro lado, Pittsburgh sofre com lesões e, na vice-lanterna da divisão com 1-4, vê suas chances de pós-temporada ficarem cada vez mais complicadas. Com Ben Roethlisberger fora de combate até 2020 e Mason Rudolph podendo perder algum tempo, talvez o calouro não draftado Devlin Hodges tenha que conduzir o ataque no próximo Sunday Night Football contra o Los Angeles Chargers.

Vamos discutir agora o que aconteceu dentro de campo nesse confronto e como o Ravens saiu vitorioso de Pittsburgh mesmo com uma performance preocupante!

Ataque do Steelers x defesa do Ravens

Um fator de destaque nessa partida foi a diferença de abordagem das duas equipes na divisão das jogadas ofensivas entre corridas e passes. Mesmo com o equilíbrio predominando o tempo todo e com seu terceiro quarterback a partir do terceiro quarto, Pittsburgh chamou 32 passes e apenas 19 corridas. Baltimore, por sua vez, manteve a filosofia que é marcante desde o ano passado: 40 corridas e 33 passes.

Mason Rudolph não tem sido um quarterback agressivo desde que assumiu a titularidade, mas encontrou algumas oportunidades nessa partida. A defesa de Baltimore, que perdeu tantos jogadores na inter-temporada, tem deixado a desejar. Tanto que contratou antes desse confronto alguns atletas que nem sequer estavam em atividade.

Um homem foi o grande personagem do jogo para a defesa de Baltimore: Marlon Humphrey.

Ele começou a partida falhando. No lance a seguir, a defesa manda blitz, mas o running back consegue identificá-la e dar um pouco de tempo para o quarterback. E, na secundária, a confusão predomina. São três jogadores fazendo rotas, mas a chamada parece causar dúvidas entre os defensive backs. Perceba que dois deles colidem, fazendo com que os recebedores fiquem completamente abertos.

Pelo bom trabalho do running back, Rudolph tem tempo de encontrar JuJu Smith-Schuster completamente livre. O lance deveria ser um bom ganho, mas parado dentro da red zone. Só que Marlon Humphrey vai para a grande aposta de, em vez de tentar o tackle, priorizar as chances de forçar um fumble. Ele falha, e o resultado é um touchdown:

Mais tarde, com Mason Rudolph fora de combate e Devlin Hodges em campo, o ataque de Pittsburgh precisa de criatividade. Quando havia tentado antes na partida seguir uma linha mais tricky, o insucesso fora grande. Principalmente em um snap direto para Jaylen Samuels que acabara em tentativa de passe e interceptação.

Aqui, porém, a jogada (mais uma vez com snap direto para Samuels) é muito bem desenhada. A reversão para Johnny Holton encontra o campo aberto e poderia acabar em touchdown. Isso não acontece por dois motivos: primeiro, porque Samuels se esquece de bloquear e deixa homens livres em direção a Holton e, segundo, porque Humphrey se recupera na partida e faz um excepcional trabalho de reconhecimento para impedir maiores estragos:

Mas foi na prorrogação que Humphrey realmente se recuperou. Mesmo com seus colegas de time aconselhando que ele não tentasse mais uma vez trocar o tackle pelo fumble, o cornerback de Baltimore não deu ouvidos.

Baltimore usa Cover-1, faz marcação homem a homem e manda a casa para cima de Hodges. O quarterback mostra calma e segurança para encontrar JuJu Smith-Schuster, que havia conseguido separação de Humphrey. Mas, dessa vez, o soco é certeiro, forçando o fumble e deixando o Ravens muito perto da vitória.

Vale ressaltar ainda o esforço do próprio Humphrey, que não só força o fumble, como o recupera:

Tanto o ataque de Pittsburgh, como a defesa de Baltimore devem ter problemas no decorrer da temporada. Apesar de alguns nomes de talento, como JuJu Smith-Schuster e Marlon Humphrey, as profundidades de elenco não são das melhores. E as trick plays ofensivas do Steelers parecem sofrer justamente com a execução, mesmo quando são bem desenhadas.

No pouco tempo que esteve em ação, Devlin Hodges foi competente. Fica uma curiosidade sobre como será sua eventual performance em um Sunday Night Football, caso Mason Rudolph realmente não seja liberado.

Ataque do Ravens x defesa do Steelers

Lamar Jackson começou 2019 de maneira impressionante. Sua performance espetacular na Semana 1 fez com que todos falassem sobre a evolução que teve como passador, deixando de ser uma ameaça principalmente pelo chão. Quatro jogos depois, parece que foi só uma ilusão causada pelo fator Miami Dolphins.

O quarterback de Baltimore fez de longe seu pior jogo do ano contra o Steelers. Não apenas foi interceptado três vezes e sackado outras cinco, como deixou diversas jogadas no campo. Inclusive, nesses lances de perda de jardas.

Jackson lançou cinco interceptações nos últimos cinco quartos que disputou. Contra Pittsburgh, completou apenas dois passes que viajaram mais do que oito jardas no ar.

Selecionamos alguns lances que mostram quais são os principais problemas de Jackson no momento: falta de visão, segurar a bola em excesso, desconfiança no pocket e tendência de se prender à primeira leitura e facilitar o trabalho da defesa.

No segundo quarto, o quarterback foi sackado em duas jogadas consecutivas. Porém, na segunda jogada ele tinha uma chance clara de lançar um touchdown. Veja no canto direito da tela o wide receiver Marquise Brown correndo uma rota go. Se você pausar o vídeo abaixo em três segundos, irá perceber Jackson ainda com um pocket limpo e os pés plantados, e o camisa 15 já com um passo de separação de seu marcador, sem safety em profundidade:

É difícil de entender o porquê de Lamar não ter puxado o gatilho e feito o lançamento. Só que essa foi uma situação corriqueira na partida. Constantemente, havia boas opções e ele as ignorou.

Veja como a situação se repete na jogada abaixo: sem safety em profundidade, mais uma vez Brown escapa em uma rota go, agora no canto inferior. Outro touchdown não muito complicado. Mas Lamar não lança a bola e prefere fazer um scramble e ganhar duas jardas – mesmo sem sofrer real pressão.

O quarterback lançou ainda três interceptações na partida. Podemos notar no vídeo abaixo o problema de fixar seus olhos no recebedor. Ele permite, assim, que Mike Hilton corte a rota e fique com a bola:

Eu defendi Lamar Jackson antes do draft e ainda acho que ele pode se desenvolver em um bom quarterback, mas é bastante claro com a análise de filme que, nesse momento, ele é bastante superestimado. A performance contra o Miami Dolphins foi apenas ilusória. Baltimore poderia ter vencido essa partida de maneira bem mais tranquila com um signal caller menos cru.

A defesa de Pittsburgh, por sua vez, tem talento e pode produzir boas coisas em 2020, quando o time voltar a ser competitivo ofensivamente.

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